05.mai.2026



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Um médico praticando sua profissão no cuidado de um paciente não está agindo em um vácuo cultural.

Eric Cassell (The Healer's Art)

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Mensagem
por Luiz Roberto Londres

O ano: 1954. O menino recém-operado guarda ao longo desses 45 anos uma única lembrança desse evento: a jovem enfermeira italiana chamada Pina, que dele cuidava, dia a dia trazendo carinho e conforto. Os médicos, graves, compententíssimos, iam e vinham, verificando a ferida operatória, indagando isso e aquilo de suas funções, resmungando alguma coisa na sua saída. Era uma visita cordial, sem dúvida, mas... havia algo que não podia ou não conseguia transparecer: em uma palavra, o afeto. Este vinha com a italianinha sorridente, disfarçando comprimidos ou acompanhando os banhos no leito (era o máximo que às enfermeiras era permitido na época).

Mas a profissão cresceu e o menino também. Vinte e cinco anos depois, talvez se lembrando dessas cenas e agora diretor de um hospital, promovia ele aquela que talvez tenha sido a grande mudança em sua instituição, uma mudança arrojada para os estabelecimentos congêneres em nossa cidade. Na época em que a maioria dessas instituições tinham apenas uma enfermeira para atender às exigências legais ampliou o seu quadro de uma para dezenove enfermeiras. Cada setor, cada plantão, cada serviço passava a contar com uma enfermeira em sua coordenação e comando. Duas jovens enfermeiras, Márcia e Regina, eram as encarregadas de implantar a nova realidade. Terá sido coincidência o fato de que, a partir dessa época, a sua instituição tenha sido reconhecida como referência em qualidade?

Não, não foi coincidência. Subitamente o hospital que nada mais era do que um apoio às atividades médicas passou a ter vida própria. O serviço de enfermagem não trabalhava mais apenas com as mãos; os cérebros eram bem-vindos, criavam rotinas, apropriavam-se de tarefas que antes eram, por falta de confiança, exercidas pelos médicos. A profissão então predominantemente feminina (e a dos médicos masculina, agora é diferente) trouxe as respectivas e necessárias características a um local onde a tensão e a ameaça rondam a esperança. O hospital passava a ser reconhecido não só pelo tratamento médico mas pelos cuidados dispensados pelo seu corpo de enfermagem.

Hoje a enfermagem assumiu, com todo o mérito, dimensões mais abrangentes. Quando se fala em qualidade numa instituição de saúde pode-se ter a certeza que, na imensa maioria, esse assunto é coordenado por membros do corpo de enfermagem. É o movimento de nossa época, como se fora a resposta às vozes dos doentes e não apenas das doenças e graças ao qual a visão humanística de nossas atividades passa a se impor tornando-as ainda mais nobres. Por tudo isso e por muito mais que ainda virá, nossos parabéns a todos vocês.




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